sexta-feira, 12 de setembro de 2008
A modificação da paisagem, transformação do gosto, influência da cultura Indo-Portuguesa no Brasil
A paisagem brasileira desde o século XVI, começara a ser transformada. As grandes plantações de açúcar passaram a ocupar áreas imensas do nordeste e do sudeste, e as de tabaco tomaram a área do recôncavo e seguiram em direção de Sergipe. A terra na costa era boa, fértil, excelente para plantações, que se desenvolviam e junto com elas as cidades vizinhas evoluíam. O intercâmbio que se processava entre as Américas, a Ásia e a África, trazia novos vegetais, flores, legumes, verduras, diversos tipos de pimentas (principalmente capsicuns) e especiarias...
Nos produtos do açúcar era incontestável uma troca de informações com os engenhos de Bengala e da área que hoje é designada como Gujarat. Rapadura, melaço, açúcar mascavo, eram feitos e usados, praticamente da mesma maneira tanto no Brasil como na Índia, e em outras áreas de permanência portuguesa. As sementes de frutas e especiarias que haviam sido intercambiadas começaram a florescer e se multiplicarem, quando em 1578 tiveram seu plantio suspenso, nada impediu que as raízes de gengibre indiano se espalhassem por quase todo o País.
Mangueiras e jambeiros, jaqueiras e árvores da fruta [1] pão, além de cobrirem a Bahia e o Rio de Janeiro, também penetraram na Mata Atlântica, no Pará e no nordeste. Para a Índia, Portugal tinha levado do Brasil principalmente cajueiros, urucum, e abacaxis. Estes últimos caíram no gosto do Grão Mogol, o que motivou enormes plantações do que ali foi conhecido como jaca portuguesa. Com a ascensão da Dinastia dos Bragança, a idéia de transplantar especiarias, principalmente pimenta do Malabar e caneleiras do Ceilão, foi retomada com afinco, a estas juntou-se mais tarde o cravo da Índia, e com mais dificuldade a moscada, que para dar certo teve que contornar pelo Jardin dês Pamplemousses nas Mascarenhas e entrarem no Brasil pela Guiana francesa.
A entrada das especiarias, nos navios da Carreira, e bem mais tarde com o fruto das próprias plantações, juntamente com a produção do açúcar e a paixão pelas cousas do Oriente, passaram a influenciar, definitivamente, a culinária não apenas citadina, mas também a casa dos senhores das plantações, fazendo-os também usufruir da doçaria e de muitos outros pratos de influência indo-portuguesa. As vinhas d’alho, as canjas, o arroz doce, os doces de ovos temperados com muita canela e cravo, e a pimenta do Malabar, apelidada de pimenta do reino, penetraram em todas as cozinhas; a princípio nas casa mais abastadas, mas depois, com a produção das plantações locais, passaram a participar ativamente da mesa de todas as camadas sociais, como o fazem até os dias de hoje.
Gilberto Freire, em seu estudo social sobre Pernambuco, diz que “o luxo asiático que muitos julgam generalizado no norte açucareiro, circunscreveu-se apenas a famílias privilegiadas de Pernambuco e da Bahia”. [2] Porém acrescento que, em Salvador, talvez por ser o porto que tinha as facilidades com a Carreira, e no Rio de Janeiro o gosto pelo asiático, principalmente das coisas da Índia, foi atingindo num crescendo as diversas camadas sociais. [3] O contrabando fez com que pouco a pouco ao menos alguma coisa de Goa, pudesse ser entesourada numa casa de classe média. Não apenas Dellon, em texto já transcrito, mas outros viajantes que aqui estiveram contam a incidência, desde muito cedo, de mercadores e mercadorias estrangeiras principalmente na Bahia. [4] O que vem a confirmar não apenas o resumo anteriormente citado do estudo sobre as cargas, mas a correspondência de época, muitas delas de caracter privado, e os acervos abertos dos museus e fechados em residências particulares, que demonstram a penetração da arte indo-portuguesa no Brasil.
Graças as cargas, fiéis ou não, dos navios da Carreira, foi de fato comprovada uma forte penetração de têxteis, e diversos objetos representativos da cultura indo-portuguesa, que passaram a influenciar o gosto de tal maneira, que durante muito tempo tornaram-se imprescindíveis para compor o ambiente das casas. Eram têxteis para todos os usos, colchas bordadas ou não, tecidos mais baratos para os uso mais variados, contadoras, cadeiras, e as obras de arte mais cuidadosamente guardadas: esculturas de marfim de diversos tamanhos, cofres com incrustações. As Senhoras mais abastadas não iam à missa sem seu belo xale bordado, e seus preciosos rosários de contas de calambá, seu vestido de tecido importado, ou contrabandeado, através da Carreira.
Hoje alguns destes acervos estão em museus, outros em coleções privadas abertas ou não à visitação, e em muitos casos continuam adornando as casas. Entre os acervos dos Museus, levando em consideração a quantidade o mais importante em imaginária de marfim é o do Museu Histórico Nacional, onde a Coleção Souza Lima [5] conta com mais de 500 peças. O destino dos têxteis é mais fragmentado, geralmente estão em Coleções privados, ou museus nascidos destas coleções, o mesmo ocorre com o mobiliário e com as jóias.
Nos produtos do açúcar era incontestável uma troca de informações com os engenhos de Bengala e da área que hoje é designada como Gujarat. Rapadura, melaço, açúcar mascavo, eram feitos e usados, praticamente da mesma maneira tanto no Brasil como na Índia, e em outras áreas de permanência portuguesa. As sementes de frutas e especiarias que haviam sido intercambiadas começaram a florescer e se multiplicarem, quando em 1578 tiveram seu plantio suspenso, nada impediu que as raízes de gengibre indiano se espalhassem por quase todo o País.
Mangueiras e jambeiros, jaqueiras e árvores da fruta [1] pão, além de cobrirem a Bahia e o Rio de Janeiro, também penetraram na Mata Atlântica, no Pará e no nordeste. Para a Índia, Portugal tinha levado do Brasil principalmente cajueiros, urucum, e abacaxis. Estes últimos caíram no gosto do Grão Mogol, o que motivou enormes plantações do que ali foi conhecido como jaca portuguesa. Com a ascensão da Dinastia dos Bragança, a idéia de transplantar especiarias, principalmente pimenta do Malabar e caneleiras do Ceilão, foi retomada com afinco, a estas juntou-se mais tarde o cravo da Índia, e com mais dificuldade a moscada, que para dar certo teve que contornar pelo Jardin dês Pamplemousses nas Mascarenhas e entrarem no Brasil pela Guiana francesa.
A entrada das especiarias, nos navios da Carreira, e bem mais tarde com o fruto das próprias plantações, juntamente com a produção do açúcar e a paixão pelas cousas do Oriente, passaram a influenciar, definitivamente, a culinária não apenas citadina, mas também a casa dos senhores das plantações, fazendo-os também usufruir da doçaria e de muitos outros pratos de influência indo-portuguesa. As vinhas d’alho, as canjas, o arroz doce, os doces de ovos temperados com muita canela e cravo, e a pimenta do Malabar, apelidada de pimenta do reino, penetraram em todas as cozinhas; a princípio nas casa mais abastadas, mas depois, com a produção das plantações locais, passaram a participar ativamente da mesa de todas as camadas sociais, como o fazem até os dias de hoje.
Gilberto Freire, em seu estudo social sobre Pernambuco, diz que “o luxo asiático que muitos julgam generalizado no norte açucareiro, circunscreveu-se apenas a famílias privilegiadas de Pernambuco e da Bahia”. [2] Porém acrescento que, em Salvador, talvez por ser o porto que tinha as facilidades com a Carreira, e no Rio de Janeiro o gosto pelo asiático, principalmente das coisas da Índia, foi atingindo num crescendo as diversas camadas sociais. [3] O contrabando fez com que pouco a pouco ao menos alguma coisa de Goa, pudesse ser entesourada numa casa de classe média. Não apenas Dellon, em texto já transcrito, mas outros viajantes que aqui estiveram contam a incidência, desde muito cedo, de mercadores e mercadorias estrangeiras principalmente na Bahia. [4] O que vem a confirmar não apenas o resumo anteriormente citado do estudo sobre as cargas, mas a correspondência de época, muitas delas de caracter privado, e os acervos abertos dos museus e fechados em residências particulares, que demonstram a penetração da arte indo-portuguesa no Brasil.
Graças as cargas, fiéis ou não, dos navios da Carreira, foi de fato comprovada uma forte penetração de têxteis, e diversos objetos representativos da cultura indo-portuguesa, que passaram a influenciar o gosto de tal maneira, que durante muito tempo tornaram-se imprescindíveis para compor o ambiente das casas. Eram têxteis para todos os usos, colchas bordadas ou não, tecidos mais baratos para os uso mais variados, contadoras, cadeiras, e as obras de arte mais cuidadosamente guardadas: esculturas de marfim de diversos tamanhos, cofres com incrustações. As Senhoras mais abastadas não iam à missa sem seu belo xale bordado, e seus preciosos rosários de contas de calambá, seu vestido de tecido importado, ou contrabandeado, através da Carreira.
Hoje alguns destes acervos estão em museus, outros em coleções privadas abertas ou não à visitação, e em muitos casos continuam adornando as casas. Entre os acervos dos Museus, levando em consideração a quantidade o mais importante em imaginária de marfim é o do Museu Histórico Nacional, onde a Coleção Souza Lima [5] conta com mais de 500 peças. O destino dos têxteis é mais fragmentado, geralmente estão em Coleções privados, ou museus nascidos destas coleções, o mesmo ocorre com o mobiliário e com as jóias.
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
A Instalação da Cultura Portuguesa no Brasil

Sabemos que a influência portuguesa sobre o Brasil remonta desde os tempos de Descobrimento e Expansão Marítima, quando certos ideais europeus já foram se difundindo de alguma forma, para os quatro cantos do mundo. Entretanto, acentuemos aqui a influência cultural portuguesa com maior impacto, aquando da instalação da família real em solo tropical, a partir do século XIX. Não discutamos as razões políticas desta transferência para evitarmos um distanciamento da linha de raciocínio. Ressaltemos, notoriamente, que a atitude real portuguesa marcou inegavelmente a situação cultural da colónia, na época. Diga-se que a multidão envolvida neste processo de transferência girou em torno de 10 mil pessoas entre a família real, a Corte e a aristocracia. A Inglaterra enviou uma esquadra de 13 embarcações para acompanhar toda a viagem. Obviamente, que a decisão do príncipe regente D. João, incluiu na longa jornada todo o tesouro português e sua estrutura burocrática de ministros, conselheiros, juizes da Corte Suprema, funcionários do Tesouro, patentes do Exército e da Marinha, membros do alto Clero, isto é, um grande arsenal científico, técnico e político. Neste ponto, o que nos interessa é destacar a ida, seja de forma precária ou não, de obras de arte, objectos dos museus e da Biblioteca Real, por volta de 60 mil livros. Decerto, estariam emigrando para o Brasil, uma parcela importante da intelectualidade ibérica, que aportaria em Salvador, em 22 de janeiro de 1808, após 54 dias de viagem.
Logo a família real se transferiria para o Rio de Janeiro, que foi sendo modificada pela nova administração estrangeira, para se fazer nos moldes europeus. A infra-estrutura da cidade foi sendo trabalhada e fomentada muitas vezes pelos ricos moradores, em troca de benefícios materiais ou atribuição de titulações de nobreza pelo príncipe regente (1). Uma multidão de imigrantes começou a aportar no Rio de Janeiro, com a perspectiva de construir uma vida melhor. Eram estrangeiros das mais variadas nacionalidades entre espanhóis, franceses, ingleses, alemães e suíços. Diante das distintas qualificações dos imigrantes, entre os quais citamos médicos, professores, alfaiates, farmacêuticos, modistas, cozinheiros e padeiros, ressaltamos a presença intelectual de representantes diplomáticos na nova capital do Império. Assim, a opinião pública da colónia, Rio de Janeiro, se enriqueceu devido ao teor de sua plural sociedade em crescimento.
Reuniões elegantes eram promovidas pela nobreza e esses bailes são indicativos de uma cultura musical começando a ser desenvolvida numa troca mútua de experiências entre os músicos dos salões e os músicos dos recantos mais populares. A sociedade feminina começa a quebrar a reclusão a que era submetida e passa a frequentar mais os espaços públicos, os teatros, além de se dedicarem à leitura. O príncipe regente incentivou a educação, através de uma iniciação escolar de primeiras letras. É claro que houveram problemas sociais variados como a questão da escravidão e a pobreza, porém não vem ao caso enveredarmos por estas discussões. Na sequência da dinâmica social, vale indicar o nascente desejo de estabelecimento de uma cultura geral nacional, a erguer o sentimento de uma futura e mais forte opinião pública neste sentido, até culminar no tingimento positivista da ordem e progresso na bandeira daquela nação. A ida da família real portuguesa para o Brasil, representou um evento impulsionador para aquele jovem país, injectando em seu solo, novos e riquíssimos ingredientes das mais variadas sociedades, que se confrontavam, seja de forma passiva ou não, modelando e construindo uma possibilidade nova de sociedade.
Reuniões elegantes eram promovidas pela nobreza e esses bailes são indicativos de uma cultura musical começando a ser desenvolvida numa troca mútua de experiências entre os músicos dos salões e os músicos dos recantos mais populares. A sociedade feminina começa a quebrar a reclusão a que era submetida e passa a frequentar mais os espaços públicos, os teatros, além de se dedicarem à leitura. O príncipe regente incentivou a educação, através de uma iniciação escolar de primeiras letras. É claro que houveram problemas sociais variados como a questão da escravidão e a pobreza, porém não vem ao caso enveredarmos por estas discussões. Na sequência da dinâmica social, vale indicar o nascente desejo de estabelecimento de uma cultura geral nacional, a erguer o sentimento de uma futura e mais forte opinião pública neste sentido, até culminar no tingimento positivista da ordem e progresso na bandeira daquela nação. A ida da família real portuguesa para o Brasil, representou um evento impulsionador para aquele jovem país, injectando em seu solo, novos e riquíssimos ingredientes das mais variadas sociedades, que se confrontavam, seja de forma passiva ou não, modelando e construindo uma possibilidade nova de sociedade.
Cultura Brasileira
A cultura brasileira reflete os vários povos que constituem a demografia desse país sul-americano: indígenas, europeus, africanos, asiáticos, árabes etc. Como resultado da intensa miscigenação e convivência dos povos que participaram da formação do Brasil surgiu uma realidade cultural peculiar, que inclui aspectos das várias culturas.
Cultura pode ser definida como o conjunto formado pela linguagem, crenças, hábitos, pensamento e arte de um povo. Outra definição de cultura se refere mais estritamente às artes de caráter mais erudito: literatura, pintura, escultura, arquitetura e artes decorativas.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Assinar:
Postagens (Atom)